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Pouso Entre Tempos - Quarto de Pousada

Abras Janot | Fernanda Abras e Luiza Janot

“Pouso Entre Tempos” nasce da ideia de travessia. Não apenas física, mas histórica, cultural e sensível. Instalado na Escola Estadual Pedro II, edifício inaugurado em 1926 em linguagem neocolonial, o ambiente parte das expedições científicas e dos antigos viajantes que percorreram o Brasil observando, registrando e tentando compreender a paisagem. 


Havia, naquele tempo, uma relação mais demorada com o mundo. 

Observar exigia permanência. Conhecer exigia tempo.


Hoje, talvez, o que mais tenha mudado não seja apenas a paisagem, mas a maneira como nos relacionamos com ela.


Entre imagens rápidas, excesso de estímulos e uma rotina marcada pela aceleração, a experiência da observação se torna cada vez mais fragmentada. Vemos muito. Mas observamos pouco.


É nesse intervalo entre contemplação e urgência que o espaço se constrói.


Mais do que reproduzir referências históricas, o projeto propõe uma continuidade entre diferentes tempos, linguagens e formas de habitar. O quarto é um convite a desaceleração do olhar, ao desfrute. Um espaço onde o visitante compreende estar em uma pousada contemporânea, mas ao mesmo tempo consegue se imaginar em uma antiga fazenda colonial, em um casarão brasileiro ou até mesmo em um quarto imperial. 


Essa percepção não surge de forma literal ou cenográfica, mas através da maneira como arquitetura, mobiliário, materiais, arte e luz revelam diferentes camadas de tempo ao longo do ambiente.

As vigas revestidas em madeira escura, os painéis moldurados, a pedra natural, os tecidos encorpados, as texturas e a iluminação difusa ajudam a construir uma atmosfera silenciosa e acolhedora, onde passado e contemporaneidade coexistem de maneira fluida.


A natureza aparece como linguagem. Ela emerge nas texturas, nos materiais e nas obras de arte que atravessam o espaço. As peças de Sandra Mota prolongam o gesto dos antigos registros naturalistas, deslocando seu significado para uma reflexão sobre preservação e permanência.


O mobiliário também participa dessa travessia temporal. Peças assinadas por Sergio Rodrigues, Arthur Casas, Fernando Mendes, Roberta Banqueri e Estúdio Bola atravessam diferentes momentos do design brasileiro e convivem com elementos pertencentes ao próprio acervo da Escola Dom Pedro II, aproximando memória e atualidade dentro da mesma composição.


O quarto organiza diferentes formas de permanência. Ao centro do ambiente, a cama reforça o descanso como experiência principal. Ao redor dela, o layout organiza diferentes formas de experienciar: o estar pensado para leitura e pausas silenciosas, a mesa de café da manhã, os objetos distribuídos sobre o grande aparador linear e a área de escrita que faz referência aos antigos viajantes.


Mais do que reconstruir o passado, Pouso Entre Tempos propõe continuidades. Um espaço onde o tempo parece se expandir. Onde arquitetura, arte e natureza constroem uma experiência mais sensível do habitar. E onde permanecer volta a ter significado.


Parceiros:

A. de Arte: Iluminação

Acervo Escola Estadual Pedro II: Poltrona

Amém Casa + Hunter Douglas: Persiana, tela e reposteiro

Arca Móveis: Cama, mesa jantar, banco tork, espelho, mesa cabeceira

Botteh Tapetes: Tapete

Del Rei Pedras: Pedra canelada

Falci Elétrica: Instalações elétricas

Galeria Murilo Castro: Obra de arte série conceitos

Grupo Decor´a: Piso e rodapé

Guararapes: MDF

Karminha Sousa: Mesa base em ferro

Movelaria Olga: Sofá e mancebo

Sandra Motta: Obras de arte

São Romão: Cadeira, poltrona e bancos

Simmons | Arte do Sono: Colchão

Trousseau: Enxoval e itens mesa e banho

Varejão das Tintas + Suvinil: Tintas

Verde Que Te Quero Verde: Adornos

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